Considerado mal-assombrado, casarão abandonado no Ceará desperta lendas e mistérios

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Propriedade tem história contada em livro, e instiga o imaginário popular devido à estrutura em ruínas e aos assombrosos causos que a cercam.

O nome do homem era Maradona. Aparentemente bêbado, estava sem camisa e acompanhado de um cachorro. Tinha idade avançada, as rugas desenhando mapas na pele. O cachorro não saía de perto dele, apesar de não possuir nenhuma amarra. Naquele dia, o ancião era uma espécie de guia, orientando o trio de pessoas que havia acabado de chegar – ainda que essas pessoas não o tivessem solicitado. Prestativo.

Maradona mostrou toda a casa e narrou diversas histórias sobre os donos. Ao final, os visitantes ofereceram uma quantia pelo serviço, em forma de agradecimento. Ele, porém, recusou. Segundos depois, se dirigiu à mata com o animal. Sumiu, e as pessoas não o viram mais. Moradores da região disseram nunca ter topado com aquele homem ali.
Entre o real e o sobrenatural, a situação de fato aconteceu com Marcos Fábio Oliveira, 34, Leonardo Alves, 26, e Leiwilson Silva, 25. Os três – professor, programador e designer gráfico estudante de História, respectivamente – são autores do livro “Progresso Obscuro”, baseado em fontes orais e escritas sobre o Casarão da Água Verde, localizado no município de Guaiúba, distante 49,5 quilômetros de Fortaleza.
A propriedade é um mistério só. Com imponente estrutura em ruínas, solitária e depredada, instiga o imaginário da população do entorno, alcançando também outras praças. É famosa a característica de ser mal-assombrada. O acontecimento envolvendo Maradona, no início deste texto, é apenas um exemplo no revolto mar de ocorrências fantásticas envolvendo o imóvel.

São narrativas de escravos abandonados à variola e trancados na senzala; de crianças, também escravas, mortas por cães de guarda; do assassinato do dono da fazenda por um chefe político local. Muitos relatam ouvir sussurros quando lá estão, paredes trancafiando as vozes de quem foi, mas permanece. Será?

De acordo com Marcos Fábio Oliveira, o fato que mais trouxe curiosidade aos autores de “Progresso Obscuro” e que mereceu maior estudo foi a lenda de que ali viveram escravos e que o prédio tem mais de cem anos – algo refutado pelos pesquisadores.
“Escravos não viveram no local, pois ele foi originalmente construído após a abolição da escravatura. A versão reformada – como a vemos hoje – foi feita nos anos 1990, razão pela qual recortamos esse período e o retratamos no livro, sempre fazendo paralelos com o derradeiro período da escravidão em Acarape”, detalha.

Esta região também foi incluída porque o dono da propriedade possuía carreira política no local, desencadeando uma trama real que culminou no assassinato do gestor, a mando do Coronel Juvenal de Carvalho. O acontecimento ficou conhecido como “A tragédia de Acarape”. “Faz alguns anos que a família largou o espaço, cabendo apenas fazer reparos simples. Atualmente, a prefeitura organiza eventos no lugar”.

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